sábado, 11 de fevereiro de 2012

Maria Quitéria

Uma noite estava eu preparando os trabalhos quando se manifestou num médium da casa um espírito de mulher. Ela emitia um pio semelhante ao da coruja. Altiva e sem muita cerimônia, foi logo dizendo: “quero um chapéu!”
Curioso, perguntei – quem é a senhora? Ela me olhou, levantou o rosto, me fitando por cima, disse – Maria Quitéria! Assim conheci essa Pombagira. 

Dizem que ela traz uma marca de briga no rosto, por isso não gosta de se mostrar, o que justifica o gosto por facas e armas de corte. Seus trabalhos normalmente envolvem esse tipo de “ferramenta”. É uma grande justiceira, e sua energia possui maior intensidade nos trabalhos com as Almas e o Povo da Calunga.
Alguns autores dizem que ela pertence à falange de Maria Padilha, como Maria Mulambo. De fato há uma relação entre essas três Pombagiras, mas é importante ressaltar que cada uma delas possui seu próprio reinado. Maria Quitéria tem a característica de orientar mulheres submissas ao homem. Condição que ela detesta!
Nos mitos que a envolve, revela casos de maus tratos e agressões de maridos violentos, infiéis. E tanto ela, como suas médiuns costumam ter fama de “pavio curto”, embora sejam pessoas de ótimo convívio, de muito caráter, possuem um senso de justiça elevado ao extremo. Isto é, se elas entram numa briga, não tem homem que segure.
Enfim, se você namora uma filha de Quitéria, pense duas vezes antes de provocá-la. :-)

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