terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ferramentas da Umbanda


Não conheço, aliás, nem imagino que exista um terreiro de Umbanda que não utilize a Pemba, seja ela usada nos assentamentos e firmezas, nos pontos riscados e cruzamentos de médiuns, seja em forma de pós e amacis, nos rituais e cerimoniais como batismo, casamento, conversão religiosa… Enfim, a Pemba é um dos elementos mais importantes para um Terreiro e todo o trabalho espiritual/magístico que ele realiza.
Os Pontos Riscados também têm sua importância, também estão em todos os terreiros, são “ferramentas” das mais importantes para os trabalhos espirituais realizados pelos Guias na Umbanda. São eles que ajudam a segurar a porteira, proteger o terreiro, sustentar o trabalho, quebrar demandas, enfim, são fundamentais e carregam mistérios que somente o Plano Superior conhecem e dominam.
No entanto, é de nossa responsabilidade a busca pelo Saber, mesmo que minimamente, sobre os Pontos Riscados e Pembas ou qualquer outra forma e/ou elemento de trabalho da Umbanda, só assim conseguiremos nos “afinizar” com essa religião tão poderosa e divina. Portanto, façamos nossa parte… 
Pontos riscados são símbolos, signos e riscos que, sobre ação, determinação e sabedoria espiritual de espíritos e forças superiores, adquirem poderes divinos capazes de transformar ou criar qualquer energia, consequentemente, qualquer situação. Dessa forma, os Pontos Riscados podem, como “ordens mágicas”, curar, descarregar, potencializar, irradiar, abrir, fechar, imantar, quebrar, unir, apaziguar, atrair, expelir…
Os pontos riscados são traçados por Guias Espirituais e servem como reforço, como um espaço mágico realizador que durante os atendimentos espirituais beneficiam os consulentes em suas necessidades. Também servem de identificação, como uma assinatura do Guia. Compreendendo esse tipo de ponto, ponto de identificação, mesmo que de modo superficial, consegue-se entender “quem é” e “como” trabalha o Guia, ou seja, sabe-se, por exemplo, se o Caboclo é doutrinador, curador ou demandador, se tem a regência de Ogum, Oxóssi ou Oxum, enfim consegue-se se aproximar do Guia e de sua forma de trabalho, facilitando, consideravelmente, a participação do médium junto a Umbanda e toda sua potência realizadora.
Vejam alguns exemplos de representações simbólicas que normalmente vemos nos pontos riscados:
Sol – representa “tudo” – símbolo de Oxalá.
Espiral – para fora indica chamamento de força, retirando demanda. Para dentro evolução final, o encontro com o espírito, com o centro.
Seta Reta – representa a irradiação de Oxóssi (caboclo), energia dirigida.
Lança - simboliza a força e a realização, o combate que transforma, representa grande iluminação e chefia de linha ou legião. Usado pelos Pretos Velhos, Caboclos de Ogum e linha do Oriente.
Arco e flecha- força espiritual, energia e potência.
Machado – representa a busca do equilíbrio.
Balança – simboliza a justiça, a força e o poder.
Borboleta - é um símbolo da ressurreição, lembra a passagem da morte para a vida. Na Umbanda esse símbolo pertence à Yansã.
Raio duplo – a força que vem para regenerar.
Espada - representa a busca, a luta do trabalho.  Simboliza o guerreiro ou apto à luta – símbolo de Ogum.
Âncora – significa esperança.
Bandeira – significa ponto de equilíbrio dos contrários
Lua – representa magia.
Chifres – representa força, poder, inteligência.
Escudo – isola e defende, simboliza a fronteira entre os adversários.
Serpente – quando morde a própria cauda é o símbolo da eternidade. Quando livre, representa a sabedoria.
Caveira – representa a inteligência e a vida.
Tridente – simboliza a evolução do espírito
Punhais - simbolizam chaves que fecham o abismo
Sete cruzes – transformação da matéria, a fronteira entre a vida e a morte.
Os traços dos Pontos Riscados podem conter vibrações específicas que potencializam o poder mágico do ponto, podem ser passivas, ativas ou absorvedoras, e isso depende do material que se usa para riscar determinado ponto. Sabemos que a pemba é Sagrada, que tem um poder ritualístico superior a qualquer outro material quando falamos em Umbanda, sabemos também que a pemba contem os quatros elementos da natureza, fogo, ar, água e terra, no entanto ela é de energia passiva, que responde a determinações, portanto, não contem uma vibração natural ativa ou absorvedora. Para chegar nessas vibrações deve-se usar outros tipos de materiais para traçar o ponto riscado, materiais que quando os médiuns de incorporação não conhecem, acabam por “travando” a solicitação do Guia Espiritual e, por consequência, seu trabalho.
A cor da pemba usada no ponto riscado também contém vibrações específicas. A cor branca, por exemplo, é harmonizadora e passiva, pode ser usada continuamente por qualquer Guia Espiritual e pelo próprio médium, já as pembas coloridas como: rosa, vermelha, marrom, azul, roxa, amarela, preta e verde, têm outras vibrações, aliás, o uso é quase que exclusivo para o traçado de símbolos sagrados propiciando a ação de determinado Orixá, o que requer cuidado, delicadeza, bom senso, conhecimento e “permissão”.
Através da pemba também se confeccionam os importantes Pós de Pembas que em uso ritualístico alcançam dimensões sutis e extensas harmonizando, descarregando e energizando os médiuns, os consulentes, o terreiro e qualquer ambiente. Sem o conhecimento teórico, energético e ritualístico esses Pós podem causar danos dificilmente revertidos, portanto devem seguir rigorosamente seu ritual de confecção e utilização.
Enfim, espero que com essas poucas explicações se perceba o quanto é fundamental estudar e conhecer a Umbanda e suas “ferramentas” de trabalho.
Espero que se perceba que, quanto mais o médium sabe mais o Guia “faz”, mais fácil é a incorporação, mais firme e coeso fica o atendimento espiritual.
Espero que se perceba que a Umbanda tem fundamento, tem lógica, tem sentido, tem o ‘porque’ e o ‘para que’. Dessa forma, estudar, buscar o conhecimento, é aproveitar a grandiosa oportunidade que é Ser Umbandista.

Seguidores